Surgimento

A História do Big Muff

Publicado em Surgimento por PlayTech | 27 de janeiro de 2012

A história do lendário Big Muff começa no início dos anos 60, com um estudante de engenharia elétrica da Universidade de Cornell, em Nova York, chamado Mike Matthews. Apaixonado por rock, Matthews era tecladista em uma banda de rock da época e também atuava no meio musical como promoter, chegando a trabalhar com nomes como The Byrds, Isley Brothers, Spoonful Lovin, The Mamas and the Papas, The Rescals e Chuck Berry.

Por ser um ótimo músico, foi convidado a juntar-se aos Isley Brothers, abandonar os estudos e sair em turnê. Porém, Mike resolveu seguir seus estudos e, por consequência, cedeu maravilhosos equipamentos. Outro artista que viria a ser promovido por Mike era um desconhecido Jimmy James, guitarrista que começara há pouco e estava tocando com Curtis Knights & The Squires. Após um curto período acabou tornando-se amigo de Jimmy, o desconhecido guitarrista que mais tarde mudaria seu nome para Jimi Hendrix. O próprio Matthews chegou a contar que Hendrix queria formar uma banda com ele na época e que influenciou na decisão de Hendrix deixar o Squires para começar a cantar.

Em 1965, Matthews formou-se na faculdade e, por não conseguir conciliar a sua paixão pela música com seu trabalho de vendedor na IBM (que garantia sua estabilidade financeira), sua intenção era encontrar um meio de unir o útil ao agradável.

Três anos antes, os primeiros sons de fuzz vieram à tona com a banda The Ventures, que usavam um pedal feito à mão, mas o primeiro da história a ser produzido em linha foi o Maestro Fuzz Tone (FZ-1), usado por Keith Richards em I Can’t Get No (Satisfaction) e pelo Kinks em You Really Got Me, popularizando o efeito no Reino Unido. Ainda falando em Reino Unido, Gary Hurst havia projetado o pedal Tone Bender (Mark I), em 1965, para competir com o Maestro Gibson, sendo baseado no seu circuito, porém com algumas mudanças, e obteve bastante destaque com os Beatles, estando presente no álbum Rubber Soul.

Com o efeito de fuzz ganhando mais popularidade, como o Tone Bender Fuzz Face (criado pela Árbiter Electronics Ltd, que tinha Hendrix como garoto propaganda), Foxey Lady (criado pela Guild e também o mais vendido do mercado na época) e no Estados Unidos o Rito Fuzz da Mosrite, Mathhew se envolveu com esse mundo.

Então, em 1967, ele já se destacava com seus projetos de pedais, chegando ao ponto de conseguir sua grande chance assinando um contrato para fazer uma nova versão do fuzz da Guild, o sucesso de vendas Foxey Lady. Eles foram muito bem-sucedidos e, com os conhecimentos de Mike e a logística da Guild, surgiu no mercado um pedal realmente diferente, desbancando o próprio da Mosrite. A parceira durou pouco, e Matthews continuou produzindo como handmade até que, em 1968, fundou a sua própria empresa em Nova York, a Electro-Harmonix, começando a fazer o seu Foxey Lady, copiando a si mesmo sob o nome de Axis Fuzztone. Com o mesmo circuíto e apenas com diferentes gráficos e botões, esse se tornaria o primeiro Big Muff da história, e o seu nome (Axis) foi inspirado por Jimi Hendrix, tirando a ideia do álbum Axis: Bold As Love.

O campeão de vendas, Foxey Lady da Guild
A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 01

O primeiro Big Muff ainda com nome de Axis, inspirado no disco Axis: Bold As Love, de Hendrix
A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 02

Abaixo, podemos ver a rara edição de 1969/1970 do V1 Big Muff , com chave para ligar e desligar o efeito (escrito “off”, também presente no Axis) embutido no pot responsável pelo volume e a palavra “Fuzz”, que depois passou a se chamar “Tone”. Esses pedais foram construídos com transistores 2N5133, pots de 1966 e os knobs de baquelite identicos aos presentes no Axis Fuzztone.

A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 03A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 04A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 05

A primeira edição foi muito modificada, fazendo com que fosse muito difícil encontrar um exatamente igual ao outro. Tanto em termos de estética quanto de componentes básicos, sua sonoridade só era parecida graças aos pequenos detalhes como seus transistores 2N5133. Veja abaixo o Big Muff ainda na sua primeira edição, porém com placa de circuito impresso:

A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 06A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 07

Em 1970, chega a segunda edição do V1 Big Muff. Com grande aceitação entre os músicos da década, um dos primeiros usuários desse incrível pedal foi Carlos Santana. Abaixo, o Big Muff a versão que Santana adquiriu em 1971 e também a cópia da nota fiscal e do cheque dado pelo guitarrista:

A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 08A Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 09santana-4.jpgA Histo¦üria do Big Muff (Surgimento) Quinta 11

Para finalizar, uma foto do Big Muff em edição mais moderna e, talvez a mais conhecida pela grande maioria dos guitarristas:
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